Livro “História de uma alma – Teresa de Lisieux”

Os escritos autobiográficos de Teresa de Lisieux (1873-1897) são internacionalmente conhecidos e muito difundidos no Brasil. Por que uma nova edição? Essa mesma importância que têm é a razão pela qual nos animamos a publicar essa nova edição crítica. Além de várias correções feitas nos textos originais publicados e nas traduções disponíveis no Brasil, a adoção da ordem dos manuscritos apresentada pelas primeiras edições, que foi abandonada a partir da edição crítica de 1956, permite uma melhor interpretação da doutrina de santa Terezinha.

A História de uma alma, publicada um ano depois de sua morte, em 1898, que retoma o obituário habitual das carmelitas, reunia de fato três manuscritos deixados por Teresa: dois escritos propriamente autobiográficos, que comportam uma primeira parte escrita no início de 1895, e uma segunda parte, mais tarde, no segundo semestre de 1896. Por razões cronológicas, as edições críticas anteriores, intercalam um texto que data também de 1896, mas que, na realidade, não é um relato autobiográfico, mas uma exposição didática, em que Teresa, a partir de sua experiência expõe, por assim dizer, o essencial de sua doutrina. Seguindo as edições originais, anexamos esse texto à autobiografia

O restabelecimento da continuidade temática entre as duas partes da autobiografia põe em evidência do terceiro texto, uma carta à irmã Maria do Sagrado Coração, que constitui verdadeira síntese do ensinamento de Teresa, declarada Doutora da Igreja, pelo papa João Paulo II, em 19 de outubro de 1997.

Teresa nos ensina a partir de sua vida. Interpreta sua autobiografia como de uma alma, para empregar seu vocabulário, inteiramente apaixonada por Jesus, que a ama e está presente em todos os momentos de sua existência. Tereza vive de fato, no dia-a-dia, nos acontecimentos aparentemente mais insignificantes da rotina conventual e do relacionamento fraterno, a grandeza do perfeito seguimento de Jesus, pois, como Jesus, seu alimento é fazer a vontade do Pai. O amor de Jesus por ela a coloca no centro da Igreja e na intimidade com a Trindade.

A doutrina de Teresa, de que a carta de 1896 contém um resumo feito por ela mesma, se inscreve no seio do relacionamento pessoal de Jesus com Teresa e de Teresa com Jesus. Aos desejos quase impossíveis, segue-se o caminho para o perfeito amor, vivido na pequenez e na humildade, mas que inclui todas as vocações, é aberto à universalidade da Igreja e voltado para a união definitiva com a Trindade, conduzido pela força de Jesus.

O segredo dos escritos de Teresa foi muito bem expresso pela reputada filósofa santa Edith Stein. Antes de se tornar a carmelita, ao seu primeiro contato com a História de uma Alma, confessava estar diante de uma vida humana atravessada, do início ao fim, unicamente pelo amor de Deus. “É de uma grandeza incomparável, comentava, exatamente aquilo que busco eu mesmo e quero comunicar a todos”.

História de uma alma – Teresa de Lisieux/ Nova edição crítica por Conrad De Meester

Editora Paulinas

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